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Gestão comercial7 min de leitura

Como definir meta de vendas na construção civil sem chutar números

Aprenda como definir a meta de vendas da sua equipe de esquadrias, vidros ou revestimentos usando a matemática real dos seus custos e lucros.

DM

Por Diego Moraes

Fundador do Venda na Obra e da Perffec Esquadrias

Quadro de metas e indicadores comerciais de uma equipe de vendas

Resposta curta

Para definir a meta de vendas na construção civil, você deve realizar a engenharia reversa a partir dos custos fixos, custos variáveis e margem de lucro desejada. Em vez de cobrar faturamento final, o gestor deve desmembrar essa meta financeira em atividades diárias rastreáveis para o vendedor, como quantidade de visitas técnicas realizadas, propostas apresentadas e follow-ups de orçamento qualificados.

Você reúne a equipe na segunda-feira de manhã. Olha para o time e solta: "Este mês a nossa meta é duzentos mil reais". Os vendedores balançam a cabeça. Alguns sorriem amarelo. Outros já começam a roer as unhas de ansiedade.

A reunião acaba. Cada um vai para a sua mesa. A pergunta que fica no ar é sempre a mesma: como é que nós vamos chegar lá? Ninguém sabe.

Você definiu esse número porque soa bem. Ou porque é maior do que o mês passado. Mas faturamento sem margem é ilusão.

Se a sua meta de vendas na construção civil depende de chute, o problema é um só: falta de processo comercial. Vender não é sorte. É matemática.

Como calcular a meta de vendas real da sua empresa

A maioria dos empresários de esquadrias, vidros, revestimentos e serviços de obra comete o mesmo erro. Eles olham para o mercado e decidem uma meta de faturamento da cabeça deles.

Meta de faturamento que não cobre a estrutura e não sobra lucro não é meta. É desejo.

Para definir a meta real, você precisa começar de trás para frente. Você precisa saber exatamente qual é o custo fixo da sua operação, o custo variável dos materiais e qual é a margem de lucro que você quer colocar no bolso.

Digamos que a sua empresa de esquadrias de alumínio tenha um custo fixo mensal de R$ 30.000, incluindo salários, aluguel, energia e impostos fixos. Suponha que a sua margem de contribuição média seja de 40%. Para cobrir o custo fixo e empatar no zero a zero, o seu faturamento de equilíbrio precisa ser de R$ 75.000. Se você quer colocar R$ 20.000 de lucro líquido no caixa, a conta muda. Nesse cenário de exemplo, o faturamento necessário sobe para R$ 125.000.

Esse é o faturamento necessário. Não é um número bonito. É o número que paga a conta e gera lucro.

Sem esse cálculo, você trabalha no escuro. Você cobra faturamento, mas o vendedor fecha contrato com margem baixa. No fim do mês, o faturamento bateu, mas o caixa está vermelho.

Quem vende mais não é quem chuta mais alto. É quem calcula melhor.

A engenharia reversa da meta: o Funil Reverso de Atividades

Como você transforma esse faturamento necessário em rotina diária? O vendedor não consegue "faturar" na segunda-feira de manhã. Ele consegue fazer uma ligação. Ele consegue fazer uma visita técnica. Ele consegue apresentar uma proposta.

Para destravar a meta, você precisa aplicar o Funil Reverso de Atividades.

Você precisa olhar para o seu histórico de vendas. Qual é a sua taxa de conversão? De cada dez propostas enviadas, quantas fecham?

Vender não é sorte. É processo. Se o seu comercial depende do humor do mercado ou de indicação morna, você está deixando faturamento e lucro na mesa.

Suponha que a sua taxa de conversão histórica seja de 20% e que o valor médio do seu contrato de esquadrias ou vidraçaria seja de R$ 10.000. Para atingir a meta de faturamento de R$ 100.000, você precisa fechar 10 contratos. Se a sua conversão é de 20%, significa que você precisa enviar 50 orçamentos qualificados no mês para conseguir fechar esses 10 contratos.

Agora a meta começou a virar processo.

Cinquenta propostas no mês significa que a sua equipe precisa apresentar, em média, 12 propostas por semana. Isso dá pouco mais de duas propostas por dia útil.

Percebe a diferença? O seu vendedor não acorda pensando em "cem mil reais". Ele acorda sabendo que precisa apresentar e defender duas propostas qualificadas no dia.

A meta deixa de ser uma pressão na cabeça. Ela passa a ser uma tarefa na mesa.

O erro que destrói a meta: focar no faturamento e esquecer a taxa de conversão

A maioria das empresas de esquadrias, vidros, marmorarias e revestimentos comete o mesmo erro comercial: cobrar apenas o faturamento final. O gestor olha para a planilha no dia 25 e grita que a meta está longe.

Bate aquela ansiedade de fim de mês. O vendedor se desespera. Começa a dar desconto sem critério. Ele queima a margem de lucro para fechar a obra de qualquer jeito. Ele quer bater a meta de faturamento, mas destrói a saúde financeira da empresa.

Aqui está a verdade: faturamento é consequência. O que você precisa gerenciar são as atividades que geram faturamento.

Se o seu vendedor não sabe quantos orçamentos precisa enviar, ele trabalha no achismo. Ele acha que está vendendo muito porque a mesa está cheia de papel. Mas mesa cheia de papel é orçamento furado acumulando poeira.

Você não gerencia o resultado final. Você gerencia o processo que leva ao resultado.

Quando você controla as etapas na sua Máquina de Vendas, que é o CRM que nós usamos para estruturar o comercial de quem vende na construção civil, você sabe exatamente onde a venda trava. Você descobre se o problema está na falta de visitas técnicas ou na falta de follow-up pós-orçamento.

Vender não é suposição. É diagnóstico.

O que o seu vendedor precisa fazer na segunda-feira de manhã

Esqueça os discursos motivacionais. O seu time não precisa de grito de guerra. Ele precisa de direcionamento prático e aplicável.

Na segunda-feira de manhã, o seu vendedor deve abrir o sistema e olhar para três listas bem específicas. Ele não vai caçar cliente no escuro. Ele vai executar o processo.

A primeira lista é a de novos contatos para qualificar. O foco aqui é evitar orçamento furado. Ele precisa fazer as perguntas certas para entender se o cliente tem o perfil da empresa ou se está apenas colecionando preço.

A segunda lista é a de propostas prontas que precisam de apresentação. Lembre-se: proposta de alto padrão não se envia por WhatsApp de forma fria. Proposta se apresenta. Para quem vende esquadrias de alto padrão, por exemplo, o treinamento Venda Blindada ensina a blindar a margem e não perder para concorrente que prostitui preço.

A terceira lista é a de follow-up estruturado. É aqui que muita gente deixa dinheiro na mesa. O cliente pede orçamento, conversa bem, mas some na hora de fechar. Se você não tem uma rotina de acompanhamento, esse cliente fecha com o concorrente que foi mais consistente.

Para organizar essa rotina sem depender da memória do vendedor, nós usamos o método de acompanhamento estruturado dentro do Venda 10x. É esse processo que garante previsibilidade. O vendedor sabe exatamente para quem ligar, quando ligar e o que falar.

Como acompanhar as métricas sem sufocar a equipe

Muitos gestores acham que gerenciar processo significa cobrar o vendedor a cada meia hora. Isso não é gestão. É microgerenciamento chato.

O seu papel como líder é dar maturidade comercial para a equipe.

Você deve fazer uma reunião curta de alinhamento semanal. Meia hora é suficiente. Nessa reunião, você não vai perguntar "quanto você vai faturar esta semana?". Você vai olhar para os indicadores de atividade.

Quantas visitas técnicas foram realizadas? Quantos orçamentos foram qualificados e enviados? Quantos clientes estão em fase de negociação final?

Se os indicadores de atividade estão no verde, o faturamento no fim do mês é consequência natural. Se as atividades estão no vermelho, não adianta cobrar faturamento. O resultado não vai vir por milagre.

Este método funciona porque ele é posicionamento, não técnica de persuasão barata. Você cria uma rotina comercial que se sustenta sozinha, sem depender do humor do mercado ou de indicação de terceiros.

O plano de ação para você executar amanhã de manhã

Chega de teoria. Vamos para a prática. Amanhã de manhã, você vai dar o primeiro passo para destravar o comercial da sua empresa de esquadrias, vidros ou revestimentos.

Primeiro, faça a conta do seu faturamento de equilíbrio. Descubra qual é o número real que a sua empresa precisa faturar para pagar as contas e gerar o lucro que você quer no bolso. Sem achismo.

Segundo, descubra a sua taxa de conversão real. Se você usa a Máquina de Vendas, que é o CRM ideal para o nosso setor, puxe o relatório de taxa de conversão dos últimos três meses. Se você não tem esse número mapeado ainda, use uma estimativa segura de 15% para começar, mas comece a medir hoje.

Terceiro, faça a engenharia reversa. Divida a meta de faturamento pelo ticket médio da sua empresa. Descubra quantos contratos você precisa fechar. Depois, aplique a taxa de conversão e descubra quantos orçamentos você precisa qualificar e enviar por semana.

Por fim, entregue essa meta de atividade para o seu vendedor. Explique para ele que a meta dele não é apenas um número de faturamento no fim do mês. A meta dele é realizar o número necessário de visitas e apresentações de propostas por semana.

Empresa boa de obra não pode morrer por não saber vender. O seu sucesso comercial depende de processo, rotina e ferramenta. Menos chute, mais matemática.

Perguntas frequentes

Como calcular a meta de faturamento mínima da minha empresa de esquadrias ou vidraçaria?+

Você precisa somar todos os seus custos fixos mensais e dividir essa soma pela sua margem de contribuição média. Esse cálculo define o ponto de equilíbrio da sua operação, que é o faturamento necessário para não ter prejuízo, antes de adicionar a margem de lucro que você deseja colocar no caixa.

O que é a engenharia reversa da meta de vendas?+

É o processo de transformar uma meta financeira de faturamento em tarefas diárias para a equipe comercial. Você divide o faturamento necessário pelo valor médio do seu contrato para descobrir quantas vendas precisa fechar, e depois aplica sua taxa de conversão para saber quantos orçamentos precisa enviar por semana.

Por que focar apenas na meta de faturamento pode queimar a margem de lucro?+

Quando o vendedor é cobrado apenas pelo faturamento no fim do mês, ele tende a dar descontos excessivos e desnecessários para fechar qualquer contrato. Isso infla o faturamento da empresa, mas destrói a margem de lucro real e sobrecarrega a produção com obras que não dão retorno financeiro.

Como monitorar as metas diárias da equipe sem fazer microgerenciamento?+

O ideal é usar reuniões semanais rápidas focadas nos indicadores de esforço e utilizar um sistema de gestão comercial especializado. Acompanhar métricas de atividade, como visitas agendadas e propostas defendidas, garante que o faturamento final seja uma consequência natural do processo.

Quem escreveu

Diego Moraes é fundador da Perffec, empresa de esquadrias e vidro de alto padrão em Amparo/SP, e do Venda na Obra, onde estrutura o comercial de empresas da construção civil. Tudo que está aqui foi testado dentro da própria operação antes de virar conteúdo.

Quer aplicar isso na sua empresa?

Todo texto aqui nasce de alguma coisa que a gente destrava no Venda 10x, ao vivo, toda terça. Se você quer parar de ler e começar a executar, é por ali que começa.

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Meta não se cumpre no fim do mês. Se cumpre na rotina.

Toda terça às 20h eu trabalho um tema do processo comercial ao vivo com empresários e vendedores da construção civil.

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