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Gestão comercial8 min de leitura

Markup e margem não são a mesma coisa: o erro na sua tabela

Aprenda a diferença entre markup e margem de lucro para precificar esquadrias e vidros do jeito certo e parar de perder dinheiro na obra.

DM

Por Diego Moraes

Fundador do Venda na Obra e da Perffec Esquadrias

Planilha de custos e margem sobre a mesa de uma empresa da construção civil

Resposta curta

Markup é o percentual somado ao custo para definir o preço de venda, enquanto a margem de lucro é o percentual do preço final que sobra como lucro. Confundir os dois faz o empresário aplicar um multiplicador baixo achando que tem uma margem alta. Para ter uma margem real desejada, é preciso calcular o divisor correto sobre o custo total da obra.

Você bate a meta de faturamento no mês, a oficina roda cheia, a equipe faz hora extra para entregar as esquadrias no prazo e, no dia trinta, você olha para a conta do banco e pergunta para onde foi o dinheiro. A sensação é de que a operação trabalhou de graça para pagar fornecedor de alumínio, vidro e funcionário.

A maioria dos empresários da construção civil acha que o problema está no volume de vendas ou no custo do material. Eles tentam vender mais para compensar a sobra pequena do final do mês. Mas faturamento alto com precificação errada só acelera o rombo do caixa.

O erro não está na sua capacidade de fechar contrato. O erro está na conta da sua tabela de preço. Se você pega o custo do produto e multiplica por um número fixo achando que aquele número é a sua margem de lucro, você está deixando dinheiro na mesa sem saber.

Por que multiplicar o custo por 1,3 não garante 30% de margem

Suponha que você defina que a sua empresa precisa de 30% de lucro para manter a operação saudável. O gestor pega o custo do material e da mão de obra de uma obra e multiplica por 1,3. Na cabeça dele, a conta fechou em 30% de margem.

Exemplo: ao multiplicar o custo por 1,3, a sua conta traz um markup de 30%, mas não entrega 30% de margem de lucro. Markup é uma coisa. Margem é outra completamente diferente.

O markup é um multiplicador aplicado sobre o custo para chegar até o preço. A margem de lucro é a porcentagem que sobra do valor total da venda depois de pagar o custo. Como a margem é calculada sobre o preço final (que é maior que o custo), a porcentagem real da margem sempre será menor do que o número do markup.

Digamos que o custo total de alumínio, vidros e componentes para uma esquadria seja de R$ 1.000. Se você multiplicar esse custo por 1,3, o preço cobrado do cliente final será R$ 1.300. A sua sobra em reais é de R$ 300. Para achar a sua margem real, você divide essa sobra de R$ 300 pelo preço final de R$ 1.300, o que dá exatos 23,07%. Você achava que tinha 30% de margem, mas a sua empresa ficou com 23%.

Vender não é adivinhação. É matemática de caixa.

A diferença entre markup e margem na prática da obra

Para parar de trabalhar no achismo, você precisa entender o papel de cada uma das duas métricas na formação do seu preço.

O markup olha para trás. Ele parte do valor do custo que você acabou de cotar com o fornecedor e projeta o preço para cima. Ele é um instrumento de marcação de preço rápida.

A margem olha para a frente. Ela parte do faturamento da empresa para entender quanto vai sobrar no caixa para cobrir custos fixos, comissões, impostos e o lucro do sócio. Os impostos da nota fiscal, a comissão do vendedor e os custos operacionais são cobrados sobre a nota cheia (o preço de venda), e não sobre o preço de custo do material.

Suponha que a sua empresa pague 10% de imposto sobre o faturamento total da nota e 5% de comissão sobre a venda fechada. Quando você aplica impostos e comissões sobre os R$ 1.300 do exemplo anterior, você perde mais R$ 195 do valor da nota. O lucro real da sua operação cai de R$ 300 para R$ 105. A sua margem real líquida despencou para 8,07%.

Exemplo: quando o empresário dá 5% de desconto no orçamento, ele acha que está sacrificando uma fatia pequena dos seus 30% de margem. Na prática, como a margem real era de 8%, aquele desconto de 5% limpa mais da metade do lucro de toda a obra.

Se o seu time comercial não sabe defender o valor da proposta, a margem evapora na primeira rodada de negociação. No treinamento Venda 10x, eu mostro como estruturar o processo comercial da sua empresa para fechar contratos sem precisar dar desconto que mata o seu caixa.

Como calcular o multiplicador correto para a sua margem

Para garantir a margem que a sua empresa precisa, você não pode usar o método de multiplicar o custo pelo percentual de lucro que deseja. Você precisa transformar a margem desejada em um multiplicador real sobre o custo.

A fórmula para achar o preço de venda a partir da margem desejada é simples: divida o custo total por (1 menos a porcentagem da margem desejada em decimal).

Exemplo: se o seu custo total de uma esquadria de alumínio é de R$ 10.000 e você determina que a margem bruta da obra precisa ser de 30%, a conta é R$ 10.000 divididos por (1 - 0,30). Ou seja, R$ 10.000 divididos por 0,70. O preço de venda correto para entregar 30% de margem é R$ 14.285,71.

Exemplo: para saber qual multiplicador usar diretamente na calculadora ou na planilha sem fazer a divisão toda vez, divida 1 por 0,70. O resultado é 1,4285 (ou aproximadamente 1,43). Se você quiser 30% de margem real de lucro, o seu multiplicador de custo precisa ser 1,43, e não 1,30.

Se o custo do perfil e dos vidros somar R$ 5.000 e você usar o multiplicador 1,43, o preço de venda final será R$ 7.150. A sobra é de R$ 2.150. Dividindo R$ 2.150 pelo preço final de R$ 7.150, o resultado é exatos 30% de margem de lucro.

Exemplo: na tabela abaixo, veja a diferença entre o markup aplicado e a margem que realmente entra no caixa da sua empresa:

| Markup Aplicado (Multiplicador) | Preço Final para Custo de R$ 1.000 | Sobra em Reais | Margem Real de Lucro | | :--- | :--- | :--- | :--- | | 1,20 (20%) | R$ 1.200 | R$ 200 | 16,6% | | 1,30 (30%) | R$ 1.300 | R$ 300 | 23,0% | | 1,40 (40%) | R$ 1.400 | R$ 400 | 28,5% | | 1,43 (43%) | R$ 1.430 | R$ 430 | 30,0% | | 1,50 (50%) | R$ 1.500 | R$ 500 | 33,3% | | 1,66 (66%) | R$ 1.660 | R$ 660 | 40,0% |

Exemplo: ao olhar para a tabela, a diferença fica evidente. Se você precisa de 40% de margem para bancar sua estrutura e ter lucro, você não pode multiplicar por 1,40. O multiplicador correto é 1,66.

O erro que faz a empresa vender muito e fechar no vermelho

O grande perigo do comercial de quem vende para obra é misturar custo de material com custo operacional da empresa.

Digamos que o vendedor faça a cotação no achismo: ele pega o valor da barra de alumínio, a chapa de vidro, os acessórios e o frete, aplica o multiplicador de 1,3 ou 1,4 em cima desse valor e envia a proposta para o cliente.

Esse é o orçamento furado. Ele esqueceu de incluir a mão de obra de fabricação, o tempo de instalação na obra, o desgaste das ferramentas, o custo da garantia e as perdas de corte de perfil. O multiplicador foi aplicado sobre um custo incompleto.

Se o custo real do material é R$ 8.000, mas a fabricação e a entrega custam mais R$ 2.000, o seu custo real é R$ 10.000. Se você aplicar o multiplicador de 1,3 em cima dos R$ 8.000 de material, você vende a obra por R$ 10.400. O seu faturamento cobre o custo e sobram R$ 400. Você trabalhou semanas em uma obra grande para lucrar R$ 400.

Quem vende revestimentos, esquadrias, vidros ou reformas precisa ter o custo real na mão antes de aplicar o índice de precificação. A maturidade comercial começa no controle exato dos custos da fábrica e do frete.

Se a sua equipe comercial envia propostas em planilhas soltas e sem padrão, a chance de perder margem por erro de conta é gigante. É por isso que nós usamos a Máquina de Vendas, que é o CRM configurado para a rotina de quem vende na construção civil, garantindo que o orçamento saia com o cálculo correto de margem e sem achismo.

Para proteger a empresa contra a queda da lucratividade, a sua tabela de preço precisa ser cega ao desejo do cliente por preço baixo e totalmente ligada à realidade do seu caixa. No método Venda Blindada, nós ensinamos o empresário a blindar sua empresa contra clientes que pedem descontos abusivos que corroem a margem da obra.

O que fazer amanhã de manhã na sua tabela de preço

Não espere o encerramento do trimestre para descobrir se a sua operação deu lucro. A correção da precificação é uma ação imediata.

Exemplo: amanhã de manhã, quando você chegar na empresa, faça uma auditoria simples nos seus últimos orçamentos aprovados:

  1. Pegue o custo total real da obra (material, mão de obra direta, frete e perdas).
  2. Veja o valor final pelo qual a obra foi fechada na proposta.
  3. Subtraia o custo total do preço de venda para achar a sobra em reais.
  4. Divida essa sobra pelo valor total da venda para achar a sua margem real.

Se a margem real apurada for menor do que o número que você achava que estava aplicando, pare de usar o multiplicador antigo imediatamente.

Exemplo: ajuste a fórmula da sua planilha de orçamento. Se você quer ter 30% de margem bruta, passe a multiplicar o custo total por 1,43. Se a sua empresa precisa de 35% de margem, o seu divisor deve ser 0,65 (multiplicador de 1,54).

Preço certo não afasta o cliente certo. Preço errado atrai o cliente que vai te dar prejuízo e esvaziar o seu caixa.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre markup e margem de lucro?+

O markup incide sobre o custo do produto para formar o preço de venda. A margem de lucro é a porcentagem que o lucro representa do preço de venda final.

Por que multiplicar por 1,3 não dá 30% de margem?+

Porque ao multiplicar R$ 100 por 1,3, o preço final vira R$ 130. O lucro de R$ 30 dividido pelo preço de R$ 130 resulta em 23%, e não em 30%.

Como calcular o markup para ter 30% de margem real?+

Divida o custo total por 0,70 (que é 1 menos 0,30). Multiplicar o custo por aproximadamente 1,43 garante uma margem de lucro real de 30% sobre a venda.

Onde entra a taxa de impostos e comissão na conta?+

Os impostos e comissões incidem sobre o preço de venda final. Por isso, eles devem ser subtraídos do valor total antes de definir a sobra líquida da empresa.

Quem escreveu

Diego Moraes é fundador da Perffec, empresa de esquadrias e vidro de alto padrão em Amparo/SP, e do Venda na Obra, onde estrutura o comercial de empresas da construção civil. Tudo que está aqui foi testado dentro da própria operação antes de virar conteúdo.

Quer aplicar isso na sua empresa?

Todo texto aqui nasce de alguma coisa que a gente destrava no Venda 10x, ao vivo, toda terça. Se você quer parar de ler e começar a executar, é por ali que começa.

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Toda terça às 20h eu trabalho um tema do processo comercial ao vivo com empresários e vendedores da construção civil.

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